A educação básica e superior no Brasil e em Campina Grande |
Iniciando a sequência de matérias sobre a situação social e política do Brasil, a coluna cidadania aborda no mês de março alguns dados sobre a educação básica e superior do ensino nacional. Também observaremos as estatísticas indicando como caminha a escolaridade dos campinenses. |
De acordo com o Censo Escolar mais recente, 2008, realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), o Brasil possui atualmente 53.232.868 estudantes matriculados nos 199.761 estabelecimentos de ensino da educação básica (creche, pré-escola, ensino fundamental, ensino médio, educação especial, educação de jovens e adultos e educação profissional). Dentre estas matrículas, 46% são oferecidas na rede municipal, 40,3% na rede estadual, 13,3% na rede privada e apenas 0,3% na rede federal de ensino. Em geral, o maior número de matriculados na educação infantil (creche e pré-escola) é da rede municipal, enquanto os ensinos fundamental e médio têm predominância na rede estadual. 85% das matrículas do ensino médio no Brasil são nas escolas estaduais. Em Campina Grande, essa média cai para 72%. 25% estão nas escolas particulares e 3% do ensino médio, na rede federal. No ensino superior, por outro lado, a grande maioria dos matriculados em cursos de graduação presenciais, é formada por estudantes da rede privada. De 5.080.056 alunos, 3.806.091 estão matriculados no ensino superior pela rede privada e apenas 1.273.965 pela rede pública. Em cursos da área de Ciência da Computação, são 108.130 alunos matriculados em todo o território nacional. No ano de 2008, 14.194 concluíram cursos dessa área.
Porcentagem de estudantes no ensino público e privado (Brasil).
Dados como estes do Censo Escolar são úteis para o bom planejamento de onde o dinheiro deve ser empregado na educação. Apenas numa visão superficial das estatísticas desta pesquisa, já se percebe que o ensino superior necessita de grandes investimentos para que haja um equilíbrio entre a população que consegue ingressar numa instituição pública e a população que pode pagar uma privada. Estes investimentos aparecem na forma de mais vagas ofertadas, ou da criação de novas universidades. O REUNI (Reestruturação e Expansão das Universidades Federais) foi um meio adotado pelo Governo Federal para ampliar o acesso e a permanência na educação superior. O REUNI foi instituído pelo decreto nº. 6.096, de 24 de abril de 2007 (suas diretrizes gerais podem ser observadas aqui). Inicialmente, o programa foi alvo de vários protestos por parte dos estudantes e críticos que temiam a diminuição da qualidade do ensino. Porém, todas as universidades federais aderiram a este programa. O plano é que sejam investidos, desde o primeiro semestre de 2008 até o final de 2010, R$ 2 bilhões nas universidades federais.
Número de vagas ofertadas por ano na UFCG.
Na UFCG (Universidade Federal de Campina Grande), o programa gerou um aumento considerável do número de vagas. De 2007 (antes do programa) até a primeira entrada de 2010, ocorreu um aumento de 49%. Somando com os alunos que entrarão em 2010.2, o aumento total será de 137%. Novos blocos foram construídos no campus de Campina Grande de 2008 até agora e ocorreram algumas reformas também. Neste início de período, como o crescimento do número de alunos foi grande, já se percebe a necessidade de mais salas de aula. Muitas obras estão em andamento e, provavelmente, serão necessárias novas construções. Mesmo que o número de estudantes do ensino público superior seja menor que do ensino privado e seja preciso mais investimentos nessa camada do ensino, não se pode esquecer que a qualidade do ensino também é critério importantíssimo a se manter. Aumentar o número de vagas não é a única forma de resolver o problema do desnível sócio-econômico no ensino superior brasileiro. Antes de oferecer mais vagas nos processos de seleção, seria preciso preparar a estrutura da universidade para suportar o aumento do número de alunos. Construir mais salas de aula, contratar mais professores e funcionários, e melhorar a infra-estrutura existente é fundamental. Porém, como o tempo planejado de execução do programa é curto (até 2012), vemos a ordem dos progressos invertida. Construções demoram a ser executadas, abertura de vagas não. Além da UFCG, Campina também possui influência, no interior do estado e nos estados vizinhos, por suas escolas de ensino médio e outras instituições de nível superior. Possui 53 escolas de ensino médio, das quais 13 são particulares e 7 são escolas de nível superior: UFCG, UEPB (Universidade Estadual da Paraíba), UNESC (União de Ensino Superior de Campina Grande), FACISA (Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas), Faculdade Maurício de Nassau, CESREI e Faculdade Anglo-Americano. Sendo assim, Campina é destino de muitos estudantes. A cidade de, aproximadamente, 384.000 habitantes tem 31% (188.809) de sua população composta por estudantes. |
Por Caio César Meira Paes
(caiocm@lcc.ufcg.edu.br)
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