Computação Voluntária
O que você faz com o tempo ocioso do seu computador? Sabia que você pode ajudar em pesquisas importantes, como o combate à AIDS ou ao câncer, sem precisar fazer nada, a não ser disponibilizar o tempo ocioso de sua máquina? Nesta matéria, conheça um pouco sobre a Computação Voluntária e sua importância para pesquisas que exigem um grande poder de processamento.

A Computação Voluntária, também chamada de Computação Filantrópica, visa disponibilizar, para projetos de grande porte, a capacidade de computadores pessoais (PC) ociosos (que estejam ligados, obviamente) espalhados pelo mundo para processar grandes quantidades de informação, reduzindo, assim, o tempo de processamento de um dado experimento.

Qualquer pessoa pode ser um voluntário computacional. Para tanto, basta instalar o programa cliente no computador e se cadastrar no projeto. Este programa é o responsável pela comunicação do computador pessoal com o servidor do projeto na Internet e pelo escalonamento das tarefas na utilização dos ciclos ociosos do computador pessoal.

Projetos que levariam milhares de anos, por exemplo, para processar as informações têm seu tempo de execução reduzido consideravelmente graças à Computação Voluntária. O que ocorre é a divisão do problema em milhões de pequenas unidades que podem ser processadas de forma paralela e distribuída. O servidor central do projeto envia pequenos pacotes de dados para computadores ociosos cadastrados no sistema. Estes são processados pelo computador pessoal, obtendo-se, assim, resultados que são retornados por meio da Internet para o servidor central. Desta forma, o processamento se torna mais rápido do que se fosse feito em um supercomputador.

Figura 1. Divisão do projeto e processamento em vários computadores. Créditos: Globo.com

Para um melhor entendimento, observe uma explicação do que seria a Computação Voluntária aqui.

Vale salientar, que não ocorre perda de desempenho e/ou lentidão para os voluntários, uma vez que os pacotes de dados são processados em momentos de ociosidade da máquina.

Normalmente, não é necessário que os PC tenham grande poder computacional para serem voluntários. Isso depende de cada projeto. Segundo Cezar Taurion, gerente de novas tecnologias aplicadas da IBM, não é interessante para os projetos exigirem um grande poder de processamento: “Quanto maior a quantidade de voluntários, melhor, pois o objetivo é formar uma grande comunidade de colaboradores. Muitas demandas em relação ao hardware ou à velocidade de banda restringem a participação de pessoas interessadas”.

Como exemplos de programas mundialmente conhecidos, que englobam vários projetos científicos numa plataforma unificada, tem-se: o Folding@Home, o BOINC e o World Community Grid. Esse último, por exemplo, segundo o que foi divulgado na Globo.com, já registrou mais de 1 milhão de computadores que, juntos, realizaram, nos últimos 4 anos, o equivalente a 188 mil anos de processamento de dados em diversas áreas. A cada semana, voluntários dessa comunidade doam o equivalente a 1,4 mil anos do tempo de suas máquinas para processar dados de pesquisas sobre o combate ao câncer, à AIDS, à dengue, gripe, entre outras doenças.

O Folding@Home, por sua vez, utiliza a capacidade de 350 mil processadores de PC voluntários (cada um pode escolher com quanto de capacidade deseja contribuir). “Essa alternativa é mais eficaz que o uso de um supercomputador. Essas grandes máquinas têm geralmente 5 mil processadores, sendo que cada um deles é surpreendentemente mais lento do que os chips de computadores domésticos atuais. Além disso, a capacidade de supermáquinas é compartilhada entre diferentes projetos. Mesmo um supercomputador seria cerca de cem vezes mais lento do que o nosso sistema”, diz o Folding@Home. Um de seus grandes projetos, que utiliza computação voluntária, é o da Universidade de Standford, que pretende entender o dobramento de proteínas e suas doenças relacionadas.

Figura 2. Mapa que mostra onde estão os voluntários do Folding@Home, indicados na cor vermelha.

Se você deseja ser um voluntário computacional, tenha muito cuidado antes de se cadastrar e/ou instalar qualquer programa. Verifique primeiro a idoneidade do serviço para evitar que processamentos maliciosos sejam realizados em seu computador. Depois disso, veja se o projeto existe, as regras de cada instituição responsável, acesse o site do projeto e veja quais requisitos são necessários (a exemplo de poder de processamento, tempo mínimo de inatividade, dentre outros).

Você terá uma ótima oportunidade para conhecer melhor o assunto no próximo dia 19 às 16h, no auditório do Laboratório de Sistemas Distribuídos (LSD/DSC/CEEI/UFCG), com a palestra intitulada Ibercivis, a computação voluntária, que se expande na Ibero-América”, a qual será proferida por Fermin Serrano Sanz, membro do conselho do Institute for Biocomputation and Complex Physics Systems (BIFI) na Universidade de Zaragoza.

Por Izabela Vanessa e Savyo Nóbrega
({izabela,savyo}@dsc.ufcg.edu.br)