“Um, dois, três, quatro...”, isso pode ser alguém que tem a “mania” de contar seus passos do quarto até a cozinha, ou alguém que conta quantas vezes precisa mastigar um alimento antes de poder engoli-lo, ou tantas outras pessoas que possuem manias, no mínimo, estranhas.
Alguns exemplos de manias que podem ser sintomas do TOC são: lavar as mãos seguidamente, revisar várias vezes as portas, janelas ou o gás antes de deitar, não gostar de segurar-se no corrimão do ônibus, evitar usar as toalhas de mão utilizadas pelos demais membros da sua família, não conseguir tocar com a mão no trinco da porta de um banheiro público, ter medo de passar perto de cemitérios ou entrar numa funerária, de deixar um chinelo virado, repetir frases ou números, assim como outros comportamentos semelhantes. Bom, depois de ver isso, você pode estar pensando “Será que eu tenho essa doença?”. |
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A necessidade de repetição compulsiva dessas manias caracteriza uma doença conhecida como Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC), a qual impede a pessoa de controlar seus atos, devido a pensamentos obsessivos, recorrentes e insistentes, que causam sensações desagradáveis ou repulsivas à consciência do paciente. Por não ter controle sobre estes pensamentos, a pessoa começa a realizar uma espécie de ritual que envolve atos repetitivos, estes têm a finalidade de aliviar as sensações de angustia e sofrimento causadas pelos pensamentos obsessivos. O indivíduo que sofre com as obsessões tem noção do quanto suas atitudes são ridículas e absurdas, mas não depende de sua vontade controlá-las. |
Segundo a Associação de Portadores de Síndrome de Tourette, Tiques e Transtorno Obsessivo-Compulsivo , o TOC pode começar em qualquer momento, desde a idade pré-escolar até a adulta. De um terço à metade dos adultos com TOC relatam que o início se deu durante a infância, mas infelizmente, a doença passa despercebida com muita freqüência. Em média, as pessoas com TOC consultam 3 a 4 médicos e passam 9 anos à procura de tratamento, antes de receberem o diagnóstico correto. Estudos comprovaram ainda que transcorrem em média 17 anos, desde o momento em que se instala o TOC até que as pessoas consigam tratamento adequado. |
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A maior dificuldade para o tratamento do TOC está em convencer o paciente que o que ele sente é uma doença e que é possível tratá-la. A grande maioria desses pacientes tem constrangimento em relatar seus sintomas a outras pessoas, incluindo aos médicos, com medo de que pensem que ele é "louco".
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A abordagem sobre qual o melhor tratamento depende da avaliação de cada caso, que deve ser feita por um especialista. Atualmente há um consenso de que a primeira opção de tratamento seria a terapia associada à farmacoterapia, associação esta que tende a atenuar ou a eliminar por completo os sintomas, dependendo do paciente. Também há tratamentos envolvendo substancias inibidoras de recaptação de serotonina (propriedade responsável pelo efeito antiobsessivo) como clomipramina, fluvoxamina e paroxetina, que são bastante eficazes na redução dos sintomas. |
Mesmo assim, a melhora do quadro é muito pequena ou nula, apenas 20% dos pacientes ficam inteiramente livres dos sintomas, quando tratados com a farmacoterapia isoladamente e, entre 40 a 60 % obtêm benefícios parciais e variados (Goodman et al. 1992). Não se pode esquecer que o tratamento costuma ser longo e sua interrupção precoce pode levar a recaídas, o que vem reforçar a necessidade de um acompanhamento especializado e por tempo prolongado.
Se após todos esses esclarecimentos você ainda tiver dúvidas se é ou não um dos portadores do Transtorno Obsessivo-Compulsivo, a seguir está um exemplo de um comportamento obsessivo-compulsivo: |

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" O despertador tocou às 06h32min AM, virei três vezes na cama, apertei o pino com a mão direita e peguei o chinelo com a mão esquerda. Caso não fizesse dessa forma, algo de muito ruim poderia acontecer com minha mãe, talvez uma doença grave ou até a morte. Troquei de roupa lentamente para que eu não invertesse a ordem das coisas. Coloquei primeiro a camisa, abotoando-a de baixo para cima, depois guardei meu pijama, bem dobrado. Ao entrar no banheiro, com o pé direito, olhei três vezes no espelho para assegurar-me de que estava tudo bem. Lavei as mãos quatro vezes, para descontaminar, germes causam doença. No café da manhã, jamais coloquei o açúcar depois do café, porque o doce é sempre antes do amargo. Ao sair de casa verifiquei quatro vezes se a porta estava trancada, porque portas abertas podem trancar o futuro, esta frase sempre repeti três vezes, para sentir-me aliviado ." |
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